Ol
Pois é, a Clara gosta muito de mim e dos meus irmãos.
Quando ela chega ao frigorífico e escolhe um de nós, peço sempre
ao nosso deus supermercado, para não me escolher. Pois é mas tinha que
haver um dia em que me abrissem o pacote e lá vou eu pela goela abaixo.
A Clara pôs-me na boca, como não sou muito sólido, pouco passei
pela mastigação (processo físico), passei em seguida para o processo químico
da boca (a ensalivação) as glândulas salivares e aquele membro em forma
de folha, acho que se chama língua, enquanto as glândulas produziam a
saliva ( constituída por água + enzimas) o tal membro envolvia-me nessa
saliva, (até foi bom, parecia que estava num banho de emersão). Como não
sou constituído por amido não houve digestão química na boca.
Passei por um senhor, que se chamava véu do paladar que me disse
que o meu nome agora era bolo-alimentar, depois levantou-se (o senhor) e
tapou a comunicação com o aparelho respiratório (fossas nasais), a língua
deu uma ajudinha ao levantar-se e empurrar-me para trás. A seguir passei
para uma vila que se chamava epiglote, lá conheci uma senhora nova e simpática
chamada de Glote que fechou a porta do aparelho respiratório e abriu uma
que tinha escrito “esófago”, eu entrei. Senti aquilo tudo a mexer, e
as enzimas que ali continuavam a trabalhar e disseram-me, que era dos
movimentos peristálticos.
Entrei numa porta esquisita circular, (era o esfíncter cárdico).
Aquilo era giro parecia que estava no mar, a nadar nas ondas (os
movimentos peristálticos em forma de onda).
As paredes da sala começaram a contrair e a dilatar. A D.Pepsina
tornava os prótidos mais pequenos e a sua colega D.Lipase actuava da
mesma maneira nos lípidos. Nesta sala as enzimas tinham o ar condicionado
ligado para ácido, às vezes entravam umas ladras (as bactérias
nocivas), e um sumo ácido (suco gástrico), “matava-as” e destruía-as.
Bem, lá andava eu de um lado para o outro e às voltas naquele
suco gástrico. Disseram-me que tinha que mudar de nome outra vez, era
agora o quimo.
Comecei a sair, por uma porta circular (esfíncter pilórico),
em jactos para o duodeno do intestino delgado. Era um corredor enorme que
ao principio era recto mas depois começou a ter muitas curvas, as suas
paredes continuavam a dilatar e a contrair. Aqui encontrei muitos funcionários;
a Sra. Bílis (que dizia que estava encarregue de actuar sobre os lípidos),
depois de outra equipa (suco pancreático) surgiram três funcionários, a
menina Lípase (que também actuava nos lípidos, mas só depois da Sra. Bílis),
o Sr. Protease com a ajuda da sua assistente, a enzima Tripsina (actuava
sobre os peptídeos) e a Sra. Amílase ( que actuava sobre o amido
dividindo-o em maltose +
maltose); e por fim noutra equipa (suco intestinal), tinha quatro funcionários:
a D.Sacarose (actuava sobre a sacarase), a Sra.Maltose (na maltase), o Dr.
Protease que com a ajuda da
sua enzima Erepsina (actua sobre as proteínas) e o último acho que se
chamava Lactase e dividia a lactase em galactose + glicose.
Está-se mesmo a ver, estas três equipas juntas mudaram-me o nome
(mais uma vez), para quilo, eu “passei-me” e perguntei-lhes se eu ia
mudar outra vez de nome, porque já estava tão confusa que nem me
lembrava do nome do momento. A Sra. da recepção garantiu-me que era o último,
logo fiquei mais relaxado.
Grande parte de mim, cerca de 90%, foram absorvidos pelas
vilosidades intestinais. As partes más de mim (substâncias tóxicas) que
não foram absorvidas até aí, vão passar agora a fezes. Acho que vou
passar umas fériazinhas no recto (dizem que é um bom “hotel”) e
depois quando me apetecer mando uma mensagem ao Sr. Sistema Nervoso e ele
deixa-me sair.
Adeus e espero que tenham gostado, eu gostei mas estou um pouco
zonzo e cansado !
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