Casal Kraft
Um pouco da história do Casal Kraft (casal de vulcanólogos que nasceram e morreram para os vulcões)
Poucas pessoas sabem que este casal foram dos cientistas que mais contribuíram para o estudo dos vulcões. Sobreviviam vendendo filmes e fotografias dos vulcões em actividade. Não houve vulcão que o casal Kraft não tivesse estado. Considerados por muitos cientistas, como loucos, arriscavam e lhes custou a própria vida, é altura de lhes prestarmos a devida homenagem.
Para Maurice Kraft, tudo começo quando tinha sete anos, e “apaixonou-se” por vulcões quando seu pai o levou a ver uma erupção do Stromboli. Curiosamente, Katia Kraft também se começou a interessar realmente por vulcões, estudando também o vulcão Stromboli, e esta tinha catorze anos.
Quando iniciaram a sua actividade, não dispunham de dinheiro para fazerem as deslocações, e não tendo ninguém para os financiar, estes aproveitavam qualquer coisa para obter os fundos necessários. Eles serviam de operadores de câmara, visto terem experiência, pois filmavam erupções, podiam escrever um livro, qualquer coisa que lhes desse os fundos económicos necessários para se deslocarem. Até quando já estavam “estabelecidos”, quando já recebiam patrocínios, faziam vários trabalhos, pois Maurice e Katia não só eram vulcanólogos, mas como também eram ser escritores, cientistas, etc.
Maurice e Katia Kraft, quando não estavam a filmar vulcões, passavam esse tempo em Alsácia, em França, uma pacata vila, tão diferente do seu trabalho.
Eles “saltitavam” de vulcão em vulcão, à volta do Mundo, enfrentando sempre o maior desafio de todos, mas não era o medo, é o tempo. Este casal quando recebia uma notícia de uma erupção, tinha de acorrer o mais rapidamente possível ao local, para conseguir captar aquelas fotografias e vídeos espectaculares, mas recolhendo também amostras dos produtos vulcânicos (sólidos).
Os equipamentos transportados por eles junto a um vulcão eram muito frágeis, e tinham sempre de ter muito cuidado. Nas câmaras de filmar e máquinas fotográficas, bastava entrar gases libertados pelo vulcão como o enxofre, o dióxido de carbono, o vapor de água, entre outros, e ficavam estragados, Maurice e Katia limpavam constantemente estes equipamentos, e às vezes não podiam tirar fotos ou filmar mais perto, devido ao intenso calor libertado pelo vulcão, que podia facilmente estragar os circuitos.
Maurice e Katia eram vulcanólogos, mas eram vulcanólogos diferentes visto que não passavam a maior parte do tempo em laboratório, mas iam ao vulcão, filmando, fotografando os seus fenómenos, recolhendo amostras, vivendo tudo aquilo em primeira pessoa, e não através de filmes, tirados ao longe. Eles foram mais perto, e tiraram umas das mais, se não as mais fantásticas fotografias, e gravaram os mais espectaculares vídeos.
Viveram também momentos de agonia. Em Himaey, estava um vulcão a crescer cada vez mais ao lado de uma povoação, entrando em erupção. Cento e cinquenta casas ficaram totalmente destruídas, sob toneladas de cinzas.
O casal presenciou vários fenómenos de vulcões, como em Manaca, na Indonésia, captaram avalanches de rochas, e assistiram ao “nascimento” de um vulcão, que libertou nuvens incandescentes.
Se chegassem a reformar, eles queriam ir viver para o Havai. Não é difícil de perceber porquê, pois o Havai tem uma grande quantidade de erupções, pois estes estão sempre a formar-se.
Estudaram e filmaram em todos os continentes, mais de 150 vulcões em erupção : Heimaey (Islândia), Etna - Stromboli - Vésuvio (Itália), Saint Helens (EUA), Nyiragongo (Zaire), etc. A 3 Junho de 1991, quando assistiam a uma erupção em Monte Uzen no Japão, foram apanhados e morreram, eles e mais 39 pessoas,.
Autores de cerca de vinte livros, de longas metragens, eles deixaram igualmente a maior biblioteca de vulcanologia do mundo, assim como uma importante colecção iconográfica.
Hélio, 8ºF-2004